Autoria do Feminino


Capítulo 4

Acomodados nas poltronas do ônibus seguiram durante a noite para Poço Seco. Pela vidraça Gutah observava uma tempestade distante. Raios revelavam a planície em recortes ocasionais, e ele concluiu que mesmo em dia claro havia pouco para ver. Nádia adormecera e retornara ao seu sono inquieto, articulando sons e movendo-se no estreito espaço. Esporadicamente apoiava-se em Gutah, para depois agitar-se novamente, interrompendo o repouso de Gutah. Ela acordou antes do sol raiar no horizonte, mas não disse nada. Tampouco fez perguntas quando desceram no terminal identificado por uma placa envelhecida como Rodoviária de Poço Seco e foram recepcionados por um velho motorista, que os conduziu em um caminhão igualmente velho por uma estrada mal pavimentada.

Górgia, o motorista, recepcionou Gutah com enorme prestatividade, atendendo à todas as perguntas, e percebendo que o rapaz estava cansado deixou-o dormir no banco. Quando Gutah acordou, Górgia iniciou uma conversa animada, da qual Nádia foi excluída ostensivamente. Ao chegarem ao posto de combustíveis Nádia reparou que de um lado a placa anunciava "último posto", e, no verso "primeiro posto". Abasteceram e seguiram pelo que havia de estrada, até tomarem uma via secundária, anunciada pelo GPS. Depois de um quarto de hora percorrendo o caminho quase sem identificação, Nádia avistou uma edificação baixa, da qual partiam cercas nas direções do norte e do sul. O portão se abriu, e um homem veio recepcioná-los, detendo em Nádia uma atenção grosseira.

Durante o tempo que permaneceram no pátio, Nádia reparou que as instalações eram antigas, mas fortemente resguardadas, percebendo que o que estivesse no interior daquelas cercas não saíria sem autorização. Quando seguiram para o interior, Gutah anunciou que estavam em Majaal. A extensão de terras desabitadas era muito maior do que Nádia previra, sequer havia uma estrada ou caminho para facilitar a orientação, de forma que a navegação dependia exclusivamente do monitoramento do GPS.

 Um ruído soou vindo do velho rádio do veículo, e Górgia atendeu, Gutah ouviu a comunicação com interesse e informou à Nádia que mantivesse a janela fechada. Nádia concentrou sua atenção, até que Gutah comentou:

- A matilha vem do oeste. - Nádia acompanhou o apontamento de Gutah e percebeu a mancha se formando no horizonte. Assustou-se quando os cães selvagens aproximaram-se. A aparência grotesca confundia-se com a ferocidade, tornando-os ameaçadores, mesmo à distância. Górgia comentou com Gutah:

- Antes da estiagem temos que fazer uma caçada. Madrinha teve filhotes.

Nádia afundou no banco, revoltada com a ideia de caçar os cães, pois acreditava que deviam ser acolhidos e tratados. Chegaram ao ponto mais alto da área, e então Gutah explicou que estavam chegando em Várnia.



Escrito por 100 noção do perigo às 03h47
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