As horas passam, mas o bode não
Trabalho de frente para o mar, viu gente? No intervalo do almoço corro para uma certa escada onde bate uma sombra estratégica e fico lá olhando e ouvindo as ondas. A estação não colabora muito, chove milagrosamente em Natal. Mas não vou à praia. Não que eu não goste ou que a chuva atrapalhe, o problema são os esgotos lançados à beira mar. No próximo dia 16 completo 90 dias do contrato de experiência. Aí terei certeza da minha situação e conto mais.
Enquanto isso prefiro adiar qualquer notícia, até porque não sei como vai ficar. Se eu confio no meu trabalho? Confio, sim. Senão não me deixava consumir nas labaredas da paixão (pelo conhecimento, viste?). Mas sei o suficiente de política para perceber que ser um bom profissional não basta.
Ainda ontem ouvi uma geógrafa (lembrem-se que também sou geógrafa) dizer que haviam profissionais que se viam obrigados pelas circunstâncias a assinarem EIA-RIMAs (documentos de licenciamento ambiental) com os quais nem sempre concordavam. Juro que quis esganar a coitada, vítima da minha intolerância ou da própria ingenuidade.
Não vou dizer que seja culpa dela, reconheço a minha culpa por achar que não há nada de profissional em assinar (sem questionar) um documento que atinge a vida de milhares de pessoas (pensem um pouco no Rio São Francisco). Para mim parece óbvio que o tal "assinante" seja formado, que tem um registro no CREA, mas isso não faz dele um profissional.
Assim como é óbvio que todo mundo acha que geógrafo, matemático, físico, biólogo, químico e historiador, só podem atuar como professor de adolescente, tendo como ponto alto da carreira estacionar numa universidade (nem que seja o carro no estacionamento da pós-graduação).
E a culpa é desses "profissionais" que fazem "caca", e jogam na lama a ciência. Deu bode, viu?
Escrito por 100 noção do perigo às 18h23
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