blogagem coletiva: Paz na Terra!

“Para a FAO, o atual modelo agrícola é paradoxal: produz comida de sobra enquanto a fome atinge 850 milhões de pessoas, o uso de agroquímicos vem crescendo mas a produtividade das culturas não e o conhecimento sobre alimentação e nutrição está cada vez mais disponível e é acessado cada vez de forma mais rápida, porém um número crescente de pessoas sofre de má-nutrição.” ASPTA
Ao ler a citação acima não posso deixar de pensar que a questão da paz está intrinsecamente relacionada aos nossos modos de produção. Para além das confabulações marxistas, é preciso reconhecer que a fome em diversas partes do mundo é produzida por um sistema que oscila entre a total indiferença ( nesse caso o lucro escamoteia qualquer culpa) e o uso da fome como instrumento de enfraquecimento ou dominação. Os memoráveis estrategistas da Europa sabiam que uma guerra poderia ser decidida se ocorresse colapso no fornecimento.
Não é difícil supor que o controle da produção também seja uma forma de controle ideológico. Existe uma velha discussão sobre a função social da terra. Há o que defendem que a função seja gerar riqueza, e que não há nada de errado nas grandes extensões, admitindo-se que haja recolhimento dos impostos cabíveis. O pagamento de impostos cumpriria a função social. Daí não haver limite, nem na lei, nem em Agendas 21, para as grandes extensões, onde, para garantir o recolhimento dos impostos e o lucro (não necessariamente nesta ordem) há políticas de incentivo agrícola para financiar grandes produções de grãos ou, mais recentemente, de biocombustíveis. Ironicamente o país é grande, por isso tudo o mais tem que ser grande: incentivo, isenção de impostos. E a fome também, para justificar defender uma monocultura em detrimento de outra.
Não faço aqui uma defesa dos sem-terra (ou faço?), o que desejo é defender a idéia de que no modo de produção que adotamos (você compra arroz e feijão, não?) pode ser um entrave para que pequenos agricultores fixem-se no meio rural e construam ali uma vida digna, sem precisar recorrer a foices, armas, invasões e cartilhas.
Muita gente considera inviável comprar de pequenos produtores. Eu, particularmente, encontro muita dificuldade (é incalculável o número de atravessadores!). O foco no cotidiano não é a melhor solução, e isto é mais verdade para quem mora longe de Brasília, onde lobbistas decidem os incentivos e isenções fiscais, as vias e os meios de escoamento e abastecimento, as linhas de financiamento.
A violência no campo recebe a contribuição das pessoas expulsas por conflitos sociais urbanos, que rechaçam toda ordem de pessoas inadequadas ao sistemas. Essa a minha idéia de paz: de que as pessoas tenham coragem de questionar e mudar.
Escrito por 100 noção do perigo às 09h28
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