Autoria do Feminino


Digerindo a raiva I

" Seja como os pássaros que,
ao pousarem, um instante,
sobre os ramos muito leves,
sentem-nos ceder, mas cantam!
Eles sabem que possuem asas ".

(Victor Hugo)

 

Apesar das más lembranças do dia em que meu tio sexagenário quase apanhou por me defender, lembro de algumas coisas ridículas que aconteceram. Para uma delas, cabe o benefício da dúvida: ou o advogado queria me insultar, ou queria me provocar, ou queria  me confundir, ou, apesar do renome, não tem qualificação para o atendimento ... sei lá, também pode ser que ele estivesse se esforçando para denegrir a imagem da instituição da qual recebe seu salário ... deixo para análise de cada um.

Ouvi claramente: A senhora procurou um serviço gratuito, é um sistema utilizado por muita gente, a senhora não pode querer que seja ... perfeito.

 

Palavras escolhidas ... espantada olhei o advogado (renomado na OAB) proferir uma pérola dessas. Diante da minha expressão surpresa ele insistiu: A senhora pagou alguma coisa pelo serviço?

 

Mesmo que eu fosse benevolente, caridosa ou qualquer outra coisa que o valha, não dá pra deixar de perceber o ridículo da coisa, mas ele nem me deixou  responder que:

  1. Ninguém obriga a Instituição a oferecer o serviço gratuito, se o faz deve assumir a responsabilidade pela prestação do serviço, além de que,
  2. O tal atendimento está previsto no Estatuto da Instituição como atividade de Extensão, o que quer dizer que é um elemento importante para o credenciamento da Instituição junto ao MEC ( e conseqüentemente para manter as isenções de imposto e a captação de recursos para bolsas de estudo e financiamento a pesquisa);
  3.  A Instituição possui critérios para selecionar as demandas (ou seja os candidatos ao serviço), um deles é o número de pessoas disponíveis para o atendimento inicial, outro é uma Lei estadual que permite a instalação do processo judicial sem as custas, já que enquadro-me no caso de Beneficiário de Justiça Gratuita, dois critérios impessoais;
  4. As pessoas que ali prestam o serviço, ou são funcionários regularmente contratados ou são estagiários. No caso dos funcionários, eles recebem seus salários para cuidar de suas atribuições, no caso de estagiários, as horas contam como atividade complementar no currículo, em outras palavras todos ali percebem algum benefício em realizar o serviço;
  5. Perfeito? Francamente ... isso é um atestado de que estava sendo mal feito?

 



Escrito por 100 noção do perigo às 14h58
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palpitando

 

Ontem, em visita ao Bloggente da Yvonne, encontrei uma proposta de blogagem sobre atitudes que adotamos para reduzir o aquecimento global. A proposta original é do Afonso, o chato e “o objetivo é que as pessoas tenham a oportunidade de escrever pelo menos três atitudes ecoconscientes que praticam ou querem praticar para melhorar a situação ambiental do planeta Terra.”  Gostei da idéia!

 

Atitudes que eu adoto:

-         Reciclagem: roupas (da casa e pessoal) são selecionadas para doação ou aproveitamento de tecido em modelos atuais ou panos de limpeza (depende das características do tecido), o uso de jeans e meias está quase abolido;

-         Vestuário: Escolho roupas feitas com tecidos fáceis de secar e de passar, quanto aos sapatos e bolsas, evito os descartáveis;

-         fiscalizo as embalagens dos produtos de limpeza, prefiro produtos básicos concentrados que podem ser diluídos conforme a necessidade;

-         Alimentação: prefiro alimentos frescos, sem conservantes, acidulantes e espessantes, cozinho somente o necessário;

 

Dificuldades que tenho:

-         evito comprar lâmpadas fluorescentes e produtos em embalagens tetrabink, pois no Brasil ainda não temos suporte suficiente para reciclar tais embalagens;

-         eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos possuem peças que são verdadeiras caixas pretas (lá dentro tem cobre e outros metais) e ainda não encontrei quem recicle, quando posso entrego aos catadores que vendem como sucata, mas o interessante seria que as empresas (revendas autorizadas, por exemplo) implantassem um sistema de reaproveitamento dos componentes íntegros.

 

 


Eu vi direito?

 

Se eu colecionasse ...

 

 

 



Escrito por 100 noção do perigo às 10h31
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Atro cidade.

 

Cidade sombria?

 

Quando eu vi que ele foi arrastado, eu sabia que não tinha como corrigir aquilo, como livrar ele da morte. Eu comecei a rezar por um milagre. Eu queria um milagre”, lembra a mãe de João Hélio.

 

Dia desses, fazendo palavras cruzadas, havia no quadro: Local escuro, sombrio. 4 letras.

Atro, adjetivo; tenebroso, aziago. Aziago; adjetivo; funesto, nefasto. Ouvi a chamada para assistir a curta história de João Hélio. Desliguei a televisão, o sensacionalismo, a forma apelativa com que o assunto é tratado, irrita-me profundamente. Até posso querer saber notícias da irmã adolescente, dos pais impotentes, mas não tenho a paciência necessária para os depoimentos que desviam minha atenção. É uma atrocidade e um crime bárbaro, não precisam me convencer disso.  Eu quero é saber da situação dos criminosos.

 

A barbaridade é lá, mas já traz à baila essa outra realidade nacional: o poder nefasto que se apóia na lei. Enquanto nós, os otários, prendemos nossos filhos em cadeiras e cintos de segurança, os criminosos podem alegar que não foi intencional, um menor participa e pode safar-se em 3 anos, e ainda pode solicitar o direito à garantia da integridade física. Como brasileiros podem valer-se dos benefícios da Constituição de 88, com a mesma igualdade que qualquer outro que segue a risca os preceitos da lei.

 

Eu sempre questionei para quem a lei é feita. É feita para nos proteger ou nos limitar?

O mês das mães macabro em SP trouxe a tona um outro sistema de leis. A lei da bandidagem, como alguns chamam, eu ainda enxergo como um sistema alternativo, mais eficiente e ativo que a lei oficial. Temos que reconhecer que os caras possuem um sistema eficiente capaz de intimidar até o Congresso.

Não tenho nenhum colega preso (sim, eu sou uma criminosa com ocorrência policial registrada) para explicar-me o que pode acontecer com os rapazes que arrastaram o menino. Até posso projetar a seguinte situação: o temido líder é preso, precisa ser protegido da população e dos policiais, mas vai ser julgado e pode safar-se da responsabilidade. Condenado por outros crimes irá para o presídio. E, lá?

Lá, de acordo com o poder que amealhou com seu histórico violento encontrará uma posição à altura de seu poder de controle. Os outros envolvidos (os paus-mandados) responderão pela barbaridade? Em geral fratricídio, estupro, e alguns outros crimes “comuns”, são submetidos ao Código de Ética dos Presídios. Mas, o que nós otarinhos consideramos um crime bárbaro, pode ser considerado um acidente de trabalho, dependendo da perspectiva. Leia de novo, por que estou afirmando que existem diferentes perspectivas construídas sobre distintos valores: se o ofício inclui a violência, que comoção causa a morte de um menino que ficou preso por acaso... ? Insisto: da perspectiva dos criminosos eles soltaram a família e não amarrarm o menino no cinto.

Temos que pensar sobre isso, quando houver necessidade de corrigir ou criar leis.

 

Eu acredito em milagres, creio até mesmo nos pequenos milagres da gentileza, do respeito à vida ... em um milagre que leve a mídia a orientar a população a tomar um caminho mais consciente para questionar a lei e altera-la quando for o caso. Não é difícil, já houve o milagre que mobilizou as pessoas a denunciarem.


P.S.: há algumas décadas as pessoas que seguiam cegamente a lei e cumpriam seus deveres de cidadania eram conhecidos, entre os criminosos, como otários.

 



Escrito por 100 noção do perigo às 13h46
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