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Vontades
Enfim, o referendo.
Ontem, no ônibus, ouvi a seguinte reclamação: “Esse” Governo faz cacacá e quer que a gente assine embaixo. Impedida de não ouvir, entendi que o assunto era o referendo. Sim, foi o Lula que assinou a Lei do Estatuto de Desarmamento e o Decreto que a regulamenta. E realmente a proposta é que a gente assine embaixo, irônico ...
A mais fina ironia, parece-me ser a de que há anos cobramos do Governo uma atitude contra a violência, saímos em passeatas pacíficas, criamos movimentos que atingem as populações urbanas com muita eficácia, interagimos, conversamos, somos ativos, nos organizamos. Mas, sinceramente, conheço poucas pessoas que escrevem para os deputados eleitos para questionar, sugerir e cobrar enquanto o Projeto de Lei está tramitando.
Pra falar a verdade não conheço ninguém que assine o Boletim da Câmara. São dois serviços: o boletim do dia e o cadastro para acompanhamento de projetos em tramitação. De grátis! E, até quando não fazem nada, vem o boletim de tramitação que diz: reunião suspensa por falta de quorum.
Reza a lenda: quem cala, consente.
Agora vamos acrescentar: e assina embaixo.
Todas as vezes que eu começo a ler o dito do Estatuto, algumas coisas são evidentes: ali existem estratégias que o governo (seja qual for) já devia ter tomado, existe também a presunção de que há uma “elite” mais capaz e idônea de que o cidadão chamado civil, justificando o armamento de alguns segmentos (forças armadas, polícia, etc).
Tenho algumas dúvidas sobre a possibilidade de repúdio à lei (não ao desarmamento), o que acontece? Joga-se o bebê com a água do banho? Aquela coisa de Cadastro Nacional, controle de armas como é que fica?
Quer mais dúvidas?
Consulte Estatuto do Desarmamento (lei 10826/2003 , regulamentada pelo decreto 5123/2004 )
Escrito por 100 noção do perigo às 08h50
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Pra não falar de outras coisas
Ocosionalmente a gente se perde das pessoas, perde o rumo que leva aos lugares agradáveis, pega um atalho e atola na estrada sob estrelas encrustadas no manto negro.
As vezes perde a entrada da rotatória, não vê a placa e dá de cara com a serra que o pôr-do-sol tinge de luz e sombra.
Uma vez ou outra o pneu fura, bem no meio de lugar algum, e a gente se vê obrigada a rolar o pneu entre o canto dos pássaros e a extensão do trigal que ondula ao sabor do vento.
Raramente a estrada bloqueada nos obriga a novos caminhos!
Por que olhamos no mapa e só pensamos na kilometragem e no combustível?
Escrito por 100 noção do perigo às 13h30
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Por que é que eu não pensei nisso antes?
http://verbosnaminhapessoa.zip.net/index.html
Classificação: 
O post do dia 30 de setembro de Alê e outros tantos ...
já viajei muito, será que se eu usasse etiqueta me extraviaria menos?
Categoria: Link
Escrito por 100 noção do perigo às 13h15
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Fio 20
Um dia você olha e duvida: bicicleta não voa.
Bicicleta sai do chão, mas não voa. Bicicleta permanece poucos segundos no ar, não voa.
Conceitualmente a trajetória descrita pela bicicleta no ar é um arco: sobre e desce, mas não voa.
Difícil de entender: balão voa, asa delta voa, paraquedas não.
Difícil de entender: meus aviões de papel nunca voaram. Não se sustentam no ar, imbicam e, depois de algumas tentativas, entortam. Pipa eu nunca soube fazer sair do chão. Mas descobri a sacola amarrada no fio20. E, mesmo sem pipa, sem rabiola, gosto de disputar o brinquedo com o vento.
É como um diálogo, eu puxo daqui, ele de lá. Eu proponho linha para estabilizar, o vento circula, apresenta desenhos no ar que meus olhos acompanham. E os desenhos contra o céu atestam que nada permanece, tudo é instantâneo, efêmero, fugaz, e que só existem enquanto eu segurar a linha e o vento soprar. Eu que tento prender com a mão, com a moldura fria do conhecimento, o instante mais precioso. Tento sobrepujar o tempo, o vento, a minha alegria, esquecida que ali ao lado tem outra sacolinha, e mais outra, e mais outra ...
Escrito por 100 noção do perigo às 09h34
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acontece perto da sua casa
Segundo Roosevelt, ninguém pode fazer com que eu me sinta inferior sem o meu consentimento.
Da minha parte, acho ridículas as pessoas que ouvem atrás de portas ou janelas, ou fazem armações para tirar algum proveito. Conviver com pessoas rudes e estúpidas, que fazem das ordens um instrumento de imposição de um poder que fantasia em sua mente, incomoda, mas só faz aumentar a distância. Lá bem no fundo, não me importo se pensam que sou inferior, ou pouco espiritualizada, ou burro de carga que deve obrigações, ocupo-me melhor com minhas próprias sandices.
Não tenho conhecimento de que Roosevelt tenha dito que, dá mesma forma que não pode me fazer inferior, também não poderia fazer com que eu me sinta superior sem o meu consentimento.
Tem aquele olhar inquiridor, que pede uma atitude, que indica uma irregularidade e quer providencias. Olhar de quem está de mãos atadas pela situação. Olhos que me vestem de “salvação da lavoura”. Modelito saia-justa!
Contemporizo: os cargos que serão preenchidos têm atribuições definidas por lei ... cada um assumindo sua responsabilidade, não pesa para ninguém ... o cargo de financeiro não oferece gratificação, a pessoa que assumir vai dar a cara a tapa de grátis, mesmo. Os candidatos da chapa, se eleitos, vão continuar ganhando os mesmos R$600,00; ter que se virar para participar dos cursos e treinamentos que o governo generosamente oferece, porque é exigência do cargo; terão que estudar gestão administrativa, porque afinal de contas a escola deve ser uma empresa, cujo lucro pode ser investido na escola, em reformas e pinturas que o governo não faz, porém, em hipótese alguma a escola-empresa pode trabalhar no vermelho, então fica sem crédito na praça para evitar a luxuriante tentação de implantar um banheiro para deficientes físicos, ou construir rampas para facilitar o acesso às salas, ou uma brinquedoteca.
Contemporizo mais um pouco: embora os cargos de direção sejam realmente exigentes, tem gente que exagera na auto-flagelação. A direção de uma escola pública pode ser um trabalho como outro qualquer, não uma fábrica de mártires estressados. Para evitar o “Massacre do Inocentes” existe o Conselho Escolar e os conselhos internos, diluindo a carga de responsabilidades, e tornando possível iniciar um movimento de inclusão da comunidade na escola, talvez até mesmo superando a visão dicotômica e segmentada. A escola existe em função da comunidade e dela é integrante. Quem vem de fora são os outros: funcionários que moram em outros bairros (e realidades) mas que por algum motivo misterioso estão lotados naquela unidade há 10 ou 15 anos. Também são de fora os outros que prestam serviços na escola, porque não descobriram ninguém na comunidade (são 1.000 alunos com família) que possa fazer os reparos.
Paro por aqui, por que sou idealista: ainda creio que bicicleta voa!
Escrito por 100 noção do perigo às 10h13
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♪ ♪ O mundo todo é (tão) hostil ...
♫ ♪ ♪ ♫ O mundo todo é (tão) hostil ...
Assumo que tenho uma certa implicância com trabalho voluntário. Isto porque, no Brasil, voluntariado quer dizer dedicação sem remuneração. Segundo algumas ONGs de abrangência internacional, nós brasileiros somos maduros em relação ao voluntariado, pois há muito abandonamos o voluntariado assistencialista. Ou seja, a gente não quer só visitar asilo e orfanato, a gente quer solução.
Há muito anos atrás, assisti uma cena hilária. Era uma distribuição de sopa, mais de 300 carentes esperando a refeição, aquela correria. Mas sabe como é? A sopa é quente, quem recebe o prato fica esfriando e demora um pouco até que termine a refeição. Depois de duas horas de corre-corre o fluxo de gente foi diminuindo, e eis que da cozinha saem quatro pratos de sopa quente. Os quatro “irmãos” ficaram lá, segurando os pratos quentes, que, por medida higiênica, não podiam assoprar. Quando apareceu o primeiro carente foi uma cena non-cense: cada qual doido pra se livrar do prato, mas gentil demais para adiantar-se aos outros. Daí tirei a conclusão que um dia, felizmente, um carente foi disputado (quase a tapa).
Ao que dizem as ONGs, brasileiro superou a fase da doação para envolver-se ativamente com a busca de soluções. Bom?
Eu tento me convencer que isso é bom, sim, mas ... por conta de uma regrinha de administração (quem gerou o problema que o resolva!) eu tenho esse hábito estressante de procurar a origem das coisas. E, de tanto perguntar, percebi que estamos a ponto de detonar definitivamente a educação pública. Exagero?
Em breve haverá eleição direta para diretor nas escolas daqui.
O governo conseguiu transformar a proposta de democratização da educação em justificativa para omissão, ou seja, o governo está se desobrigando de uma atribuição fundamental. E todo mundo resolveu aceitar a regra, pela democratização. Pela democratização!
O mundo é hostil ... arrisque-se para sentir na pele! Hoje eu vou à escola novamente. Amanhã estarei cuspindo fogo!
Escrito por 100 noção do perigo às 14h30
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Dimensionando ...
Sábado, preocupada com a vacinação, nem cheguei no portão o menino interpelou-me:
- Levei a Alice para vacinar. Ela nem latiu.
Sorri, sem entender direito. Em casa o comprovante na porta da geladeira: ALICE. Ao lado o recado “O menino levou Condoleeza para vacinar.”
Saí lavar a calçada e o menino de novo:
- Levei a Alice para vacinar. Levei o cachorro que dorme na rua. Quer que eu leve a Maguinha?
Levou, em cinco minutos estava de volta, com o comprovante: ALICE. Veio cheio de frases alegres: esqueceu o nome da Maguinha, depois lembrou mas o “vacinador” já tinha escrito o nome, que viu um cachorro com uma sacola de plástico amarrada na cara para não morder ninguém, e finalizou perguntando se eu queria que ele levasse as gatas que moram lá em casa. Tive que explicar que não era seguro.
Conversa vai, conversa vem, descobri que Maicol vai de manhã à escola; a tarde e a noite brinca na rua, por não ter o que fazer em casa. Ofereci um pacote de biscoito, ele olhou-me e disse: Tudo isso?
Sem muito tempo para conversar respondi que era tarde, quase hora de lanche, Maicol saiu contente. Mas o “Tudo isso?” acompanhou-me por quase todo o final de semana.
Para Maicol vacinar os bichos é diversão, extrapolando os limites da razão penso que é uma forma de participação, a julgar pelo festival de “donos orgulhosos de pets” em suas roupas de domingo e pela diversidade de cães e gatos que vi passar. Claro que Maicol nem imagina as sandices de cidadania que passam pela minha mente enquanto eu penso no “Tudo isso?” dele.
Que diria Maicol se soubesse que cada dose de vacina anti-rábica francesa custa R$7,00 aos nossos cofrinhos públicos. Bobeando, eu e Maicol gastamos juntos R$35,00 no sábado. E ele diz: “Tudo isso?” para um pacote de bolacha.
Eu fico pensando, se Maicol superar as limitações sócio-econômicas, e arrumar um emprego, quando receber o salário será que vai dizer: “Tudo isso?” Se o patrão escarnecer do 1/3 de férias, será que ele vai sorrir?
O “Tudo isso?” do Maicol dimensiona o que há de mais perverso na vida: a gente se habituar com muito pouco.
Escrito por 100 noção do perigo às 14h26
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