há chuva
Não posso negar que fiquei deslumbrada com a vida imensa que eu espiava pela fresta da cortina.
Tão pouco direi que fiquei triste por entender que não poderia dominar o mundo. Aliviou-me a idéia de ser irrelevante e não controlar a potência que existe independente da minha vontade.
Hibernei até pele e ossos. O passado consumido no sono profundo. Restou a estrutura que suporta esse deslumbramento.
Deslumbramento com minha inconsequência
deslumbramento com meu insulamento
ignorando minha ignorância
deslumbramento com este mundo que vibra
indiferente a minha ausência. 
Escrito por 100 noção do perigo às 14h39
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