Autoria do Feminino


Capítulo 20

Orfeu observou a chegada de Gutah e Nádia, usando saltos ela o ultrapassaria, concluiu. Cumprimentou-o e esperou que ele apresentasse Nádia formalmente, mas não dirigiu-se a ela inicialmente.

- Então essa é a responsável pelo acréscimo de musculação - disse referindo-se à maior frequencia de Gutah à musculação desde que Josi o dispensara.

- Orfeu é fisioterapeuta e técnico em exercícios laborais. Pode consultá-lo se quiser. - Gutah formalizou a apresentação segundo o protocolo social de Várnia.

- Não que precise - disse dissecando o porte de Nádia - Postura correta, flexível. - voltou-se para Gutah - diferente de você, amiguinho, que parece um neandertal com esses ombros curvados. Mas deixe-a comigo, vou avaliá-la, você pode ir para o aquecimento. 

Gutah despediu-se e deixou Nádia aflita para seu primeiro contato social.

- Escolheu bem! - Orfeu esperou Gutah afastar-se - Gutah é uma escultura de Michelangelo.

- Neandertal é que ele não é. - Nádia respondeu sorrindo, enquanto acompanhava Gutah com o olhar.

- Paixão! - Orfeu simpatizou com Nádia - Dificil de se ver por aqui. - Ela sorriu para ele - É, ele está menos iráscível desde que você chegou. -  Concordou finalmente consigo mesmo e esclareceu - ele não é  sociável, mas depois da sua chegada está menos apático, andou meio carrancudo por uns dias, cheguei a pensar que iria distender um músculo, mas, re-cen-te-men-te, está mais afável.

- Por que ele quer que eu faça uma avaliação física?

- Você pode frequentar as sessões de exercícios laborais, se quiser. -  



Escrito por 100 noção do perigo às 19h13
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Capítulo 4

Acomodados nas poltronas do ônibus seguiram durante a noite para Poço Seco. Pela vidraça Gutah observava uma tempestade distante. Raios revelavam a planície em recortes ocasionais, e ele concluiu que mesmo em dia claro havia pouco para ver. Nádia adormecera e retornara ao seu sono inquieto, articulando sons e movendo-se no estreito espaço. Esporadicamente apoiava-se em Gutah, para depois agitar-se novamente, interrompendo o repouso de Gutah. Ela acordou antes do sol raiar no horizonte, mas não disse nada. Tampouco fez perguntas quando desceram no terminal identificado por uma placa envelhecida como Rodoviária de Poço Seco e foram recepcionados por um velho motorista, que os conduziu em um caminhão igualmente velho por uma estrada mal pavimentada.

Górgia, o motorista, recepcionou Gutah com enorme prestatividade, atendendo à todas as perguntas, e percebendo que o rapaz estava cansado deixou-o dormir no banco. Quando Gutah acordou, Górgia iniciou uma conversa animada, da qual Nádia foi excluída ostensivamente. Ao chegarem ao posto de combustíveis Nádia reparou que de um lado a placa anunciava "último posto", e, no verso "primeiro posto". Abasteceram e seguiram pelo que havia de estrada, até tomarem uma via secundária, anunciada pelo GPS. Depois de um quarto de hora percorrendo o caminho quase sem identificação, Nádia avistou uma edificação baixa, da qual partiam cercas nas direções do norte e do sul. O portão se abriu, e um homem veio recepcioná-los, detendo em Nádia uma atenção grosseira.

Durante o tempo que permaneceram no pátio, Nádia reparou que as instalações eram antigas, mas fortemente resguardadas, percebendo que o que estivesse no interior daquelas cercas não saíria sem autorização. Quando seguiram para o interior, Gutah anunciou que estavam em Majaal. A extensão de terras desabitadas era muito maior do que Nádia previra, sequer havia uma estrada ou caminho para facilitar a orientação, de forma que a navegação dependia exclusivamente do monitoramento do GPS.

 Um ruído soou vindo do velho rádio do veículo, e Górgia atendeu, Gutah ouviu a comunicação com interesse e informou à Nádia que mantivesse a janela fechada. Nádia concentrou sua atenção, até que Gutah comentou:

- A matilha vem do oeste. - Nádia acompanhou o apontamento de Gutah e percebeu a mancha se formando no horizonte. Assustou-se quando os cães selvagens aproximaram-se. A aparência grotesca confundia-se com a ferocidade, tornando-os ameaçadores, mesmo à distância. Górgia comentou com Gutah:

- Antes da estiagem temos que fazer uma caçada. Madrinha teve filhotes.

Nádia afundou no banco, revoltada com a ideia de caçar os cães, pois acreditava que deviam ser acolhidos e tratados. Chegaram ao ponto mais alto da área, e então Gutah explicou que estavam chegando em Várnia.



Escrito por 100 noção do perigo às 03h47
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ainda funciona!

Minha memória ainda funciona e capacita-me a fazer funcionar meu bloguinho original!

Deu saudade!



Escrito por 100 noção do perigo às 23h58
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E aí?

O que eu faria se me retasse só esse dia?

Nada ... preferia que tivesse terminado ontem ... guardava na retina a beleza do Barreira Roxa, do céu azul, das nuvens sobre a praia de Areia Preta.

Morrer essa noite não teria tanta graça. Levaria nos ouvidos o som do trânsito, a impaciência das pessoas ... chato demais ... nascer também deve ser chato. Pensa: lá está o ser, mergulhado em um silencio confortável e morno, aquela rotina de outro intestino que o ser insiste em perturbar, de repente vem os solavancos, a pressão, a luz intensificada pelas lâmpadas da sala de cirurgia. Depois o cansaço, nada na retina (que ainda nem está bem formada), aquilo tudo embaçado, o ar frio sacundindo as narinas, invadindo a faringe, rescendendo a formol.  E mais cansaço, dores no corpo espremido feito laranja ...

Anotação para a posteridade: na próxima quero nascer de cezariana!



Escrito por 100 noção do perigo às 19h21
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Desejo de mudança

Tenho pensado em mudanças ... quando for eu aviso!



Escrito por 100 noção do perigo às 18h36
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Está circulando no orkut

 *Vc é uma Autarquia.
*Vc é a tampinha premiada de Coca-cola.
*Vc é um Litro de Cana Ypioca 150 anos.
*Vc é um chip 31 anos.
*Vc é um cd do Aviões ao vivo.
*Vc é uma panela de brigadeiro.
*Vc é um ingresso pro show dos solteirões.
*Vc é uma fitinha de São Francisco do canindé.
*Vc é o troco em big-big.
*Vc é um cartão de crédito com limite acima de R$ 10.000,00.
*Vc é a tampa mordida da caneta bic.
*Vc é o dedo que tá faltando no Lula.
*Vc é o He-man pastorando o castelo de Greyscow.
*Vc é um carnê quitado.
*Vc é um cel q bate foto e toca MP3.
*Vc é um ventilador no 3, em Mossoró.
*Vc é um caminhão carregado de Kinder Ovo.
*Vc é uma goleada do Brasil contra a Argentina.
*Vc é uma aposta na Mega Sena.
*Vc é uma chuva no deserto.
*Vc é o alívio na hora da dor.

Vixe... Será q eu enchi tua bola???!!!!



Escrito por 100 noção do perigo às 15h18
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Passo a passo

Vou indo. Passo a passo.

Quase nem me pergunto para onde foram as intenções, os desejos, os sonhos.

Pouco lembro dos sonhos, dos receios. Tenho só o inconformismo, pois que ainda sou capaz de reagir ao que percebo acontecer, num desenrolar quase profano, rompendo as crenças mais sagradas.

Aos 40 nem me sinto segura. Quase nem sinto nada, é mais fácil viver respirando leve, caminhando através das ruas, conversando com estranhos. Difícil é contemplar o conhecido, difícil é quando o conhecido me recorda que eu ainda sou gente (quando na verdade) eu quase esqueço que ocupo espaço no mundo dos mortais.

Nem sei se queria embora ou ficar ... acreditando que não faz diferença. Acreditando que tudo permanecerá igual, que só me transformo a medida que acrescento ... hoje conversei com um gari analfabeto e me senti "bem a vontade" para sorrir e manter a conversa. Depois percebi que aquela conversa, sem conteúdo ou teses, foi a melhor do dia.



Escrito por 100 noção do perigo às 19h49
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um pouco de saudade

"Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo."

(Lya Luft)



Escrito por 100 noção do perigo às 18h23
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As horas passam, mas o bode não

Trabalho de frente para o mar, viu gente? No intervalo do almoço corro para uma certa escada onde bate uma sombra estratégica e fico lá olhando e ouvindo as ondas. A estação não colabora muito, chove milagrosamente em Natal. Mas não vou à praia.  Não que eu não goste ou que a chuva atrapalhe, o problema são os esgotos lançados à beira mar. No próximo dia 16 completo 90 dias do contrato de experiência. Aí terei certeza da minha situação e conto mais.

Enquanto isso prefiro adiar qualquer notícia, até porque não sei como vai ficar. Se eu confio no meu trabalho? Confio, sim. Senão não me deixava consumir nas labaredas da paixão (pelo conhecimento, viste?). Mas sei o suficiente de política para perceber que ser um bom profissional não basta.

Ainda ontem ouvi uma geógrafa (lembrem-se que também sou geógrafa) dizer que haviam profissionais que se viam obrigados pelas circunstâncias a assinarem EIA-RIMAs (documentos de licenciamento ambiental) com os quais nem sempre concordavam. Juro que quis esganar a coitada, vítima da minha intolerância ou da própria ingenuidade.

Não vou dizer que seja culpa dela, reconheço a minha culpa por achar que não há nada de profissional em assinar (sem questionar) um documento que atinge a vida de milhares de pessoas (pensem um pouco no Rio São Francisco). Para mim parece óbvio que o tal "assinante" seja formado, que tem um registro no CREA, mas isso não faz dele um profissional.

Assim como é óbvio que todo mundo acha que geógrafo, matemático, físico, biólogo, químico e historiador, só podem atuar como professor de adolescente, tendo como ponto alto da carreira estacionar numa universidade (nem que seja o carro no estacionamento da pós-graduação).

E a culpa é desses "profissionais" que fazem "caca", e jogam na lama a ciência. Deu bode, viu?

 

 



Escrito por 100 noção do perigo às 18h23
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Atualizando

E daí que lá da CeA disseram que não pretendiam ofender ninguém ...

Fazer o quê? Me conformar com o fim do romantismo?

Tava mais divertido acrescentar coisas novas e acreditar piamente em apimentar a relação. Mas deixa estar que finalmente cheguei à Idade da Loba. Cuide aí que é Loba com maiúscula mesmo, embora eu ainda não tenha descoberto bem ao certo o que isso quer dizer. Só sei que cheguei aos 40.

Cuide (de novo) que não foi muito fácil. Muitos riscos e risos depois, algumas turbulências e calmarias, perdas de todos os calibres, finalmente a pele vincou, coberta de rugas. Dia desses encontrei mais uma e fiquei um bocado irritada por não ser mais míope, porque se fosse não a teria visto e não teria buscado verificar a simetria quase perfeita.

Já dizia Simone, a francesa, que são os outros que nos dizem que estamos envelhecendo. Sou obrigada a discordar dela. Eu mesma vejo, porque enxergo bem demais, literalmente. Também enxergo os fios brancos, e embora me deleite com a aparência metálica, sei que são sinais do envelhecimento do corpo físico. Fiz relaxamento para reduzir o volume, o produto deixou esverdeados os fios grisalhos, agora todo mundo pergunta onde eu fiz as luzes ... vá entender uma coisa dessas ... 

Eu não entendo essa de Loba, com meus hormônios declinando na curva natural. Assumo dia-a-dia que sou do século passado. Meio relíquia, meio assunto de preservação ambiental.  

 



Escrito por 100 noção do perigo às 20h54
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Susto no shopping!

Podem me chamar de carola ou moralista, mas eu tomei um susto enorme quando folheei o encarte promocional da CeA (intendeu?) do dia dos namorados.

O mote da campanha eu achei genial (Papai-mamãe, não!), a qualidade das fotos sugere uma super-comemoração em um hotel, tem uns ícones muito sugestivos, tem uns dados para jogos eróticos, até aí gostei, achei uma campanha bastante atraente.

Só não gostei das fotos de adolescentes no encarte. Adolescente namora sim, é verdade; também faz guerra de travesseiro e compra lingerie; também gosta de experimentar novidades ... independente dessa realidade, a leitura que faço é que consumidores de 10 a 16 anos (tá lá no encarte, viste?) poderiam ter um encarte separado, melhor dirigido à tal público. E se a desculpa for que o consumo é de livre arbítrio, convém bater em algumas eternas teclas como uso de preservativos. Escrevi para C&A sugerindo que a cada compra de adolescente entreguem um preservativo masculino ou feminino.

Tô exagerando?



Escrito por 100 noção do perigo às 17h54
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Atualizando

De início pensei em criar outro blog, mas quem sou eu sem minha história, minhas rugas, meus riscos e rabiscos? Resolvi "postar" uma vez por semana.
Começo atualizando os leitores:
tudo bem comigo, ainda desempregada, pior: sub-desempregada. Logo que deixei o emprego a gata Maria BOnita deu cria; de parteira virei porteira de gato, mas quando os bichanos aprenderam a saltar a janela destituíram-me da função. Agora me encaram friamente à espera de ração e água. A grande sacanagem é que se eu não servir refeição, os remanscentes saem à caça e retornam com baratas escangalhadas.
Tau, minha caçula, ganhou uma bolsa de estudos e retomou a linha de sonhos que colorem a vida, enquanto não decide que faculdade deseja.
Vou prestar concurso, e nessa vida de estudar para concurso cultivo um mutismo exemplar enquanto as idéias se atrofiam, cerceadas por regras, excessões e explicações rocambolescas. Tem dias que a fala emperra, mas ainda sei pedir pão e leite, na padaria, embora desconfie que o padeiro já se habituou ao pedido.
Dia a dia gosto mais do silêncio e da solidão. De vez em quando digo a mim mesma: "O mundo é bão, Sebastião!". Dias em que acredito em mensagens do Além, em que rio à toa; noites em que a presença de Tatapioca é quase tangível, a alegria de aceitar e compreender, de olhar para o futuro que se constrói todo dia.
Outras vezes, digo: "O mundo é assim, Taubaté!" Dias em que eu estranho as conveniências, o traquejo social, e que o tom seco de um garoto de 27 anos rouba-me a paz. Bobagem para me deixar intrigada, sacrificando meus neurônios.
E há dias em que me entrego ao contentamento de ser assim como sou.
Té mais!

Escrito por 100 noção do perigo às 16h50
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lendo Stendhal

Na falta do que fazer, leio. Por um não sei quê de conforto, deixo todas as janelas abertas e vou ler; vez por outra admiro o efeito da luz caminhando sobre móveis e paredes enquanto as horas passam.

Um amigo emprestou-me um livro de Stendhal, "O vermelho e o Negro"; aliás é um amigo que sempre oferece boas leituras. Não conhecia nada  da obra de Stendhal, mas o amigo deixou algumas recomendações e anotações que tem sido úteis, por hora gosta da forma como os personagens são reconstruídos a cada evento, e acho graça que a humanidade continue a mesma.

Ambientado no interior da França, 1800, o romance persegue o ranço do saudosismo bonapartista. A substituição do bonapartismo pelo liberalismo remete à todas as substituições de governo que conheço, não importa o ideário ou os princípios orientadores. Tudo se move e é prontamente legitimado, sucessivamente. Sempre. "Rei morto, rei posto!"

Em Stendhal, a atitude saudosista e contida de nobres e bonapartistas, no romance, permanece isolada, cada qual em sua própria esfera, rivalizando não entre si, mas com o comportamento liberal que a sociedade impõe como conduta.

A tolerância é sempre mais fácil; a tensão surge quando há de se fingir a adesão aos "novos" padrões de conduta. Assim tem sido. Enquanto acompanho o noticiário, deveria estar feliz com a chegada de Garibaldi Alves, norte riograndense, à Presidência da Câmara, mas ainda somos os mesmos que admitiram a ascenção de Renan Calheiros há bem pouco tempo.

Embora seja endeusado no interior, Garibaldi Alves é um homem de obras de impacto.

 



Escrito por 100 noção do perigo às 15h54
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Das razões para não confiar no meu coração:

Fui demitida, com todos os direitos, graças à namorada. Legal?

Se é legal ou não, se é imoral ou pouco ético, isso fica para a avaliação da história. Meu problema maior é não confiar no meu coração. Já passou a raiva, já passou. Sempre passa. Na verdade isso é um pouco da minha maior fraqueza: eu esqueço, depois que a raiva passa, simplesmente esqueço. Os erros dos outros não me pertencem. Esqueço.

Problema maior é saber que o coração é uma manteiga. Odeio isso em mim mesma. Essa convição profunda de que tudo é passageiro, até mesmo as maiores dores e as maiores preocupações, e que só as pessoas permanecem pelo que são: alegres ou melancólicas, decentes ou inconvenientes, atrevidas ou arredias. Eu esqueço que as pessoas ferem para atingir seus objetivos. Para além do bem e do mal, do certo e do errado, do bom ou ruim, as pessoas têm uma necessidade básica de defender aquilo que valorizam. Por isso eu esqueço as ofensas e a desconfiança. Assim corro riscos desnecessários. Ontem fui com o filho para a rescisão de contrato. Uma vontade de ficar quieta, de não discutir travando a boca, triturando os nervos do pescoço. Houve um contratempo, e marcamos para hoje.

Hoje não deu certo de novo, faltou um extrato de FGTS. A auditora do sindicato não aceitou um extrato dos últimos lançamentos. Quer o extrato completo. Além de falar em recalcular algumas coisas. Fomos até minha casa pegar o extrato que eu já havia retirado em outra ocasião. Não estava completo, faltou a primeira folha. O filho ficou nervoso, irritado. A contadora ídem, porque a auditora foi grosseira com ela. 

Voltamos amanhã. Fiquei mais preocupada com a contadora do que com as minhas contas, era evidente que a auditora estava arrumando a bolsa para algum compromisso, sem muita vontade em nos atender. E eu que pago o sindicato, tá? Pra ver uma parceira de trabalho ser mal tratada. Diz se dá pra confiar no coração?


Como bem diz a Magui: fantasma sabe pra quem aparece. Eu sempre esqueço do último susto. Corro riscos demais. Volto a visitá-los em breve!



Escrito por 100 noção do perigo às 18h55
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Síndrome Kill Bill

Empresa familiar, eu sou a  única funcionária. A delegada alertou que, no momento em que ele percebesse que está sendo repudiado eu teria problemas em relação a produção e acesso à documentos, o que segundo a delegada, este tipo de empresário faz para livrar-se de denúncia, de testemunha e de processo.  Decidi contar a namorada-esposa dele. Assim bem simples, para resolver logo a situação e não ser mais obrigada a ficar sózinha com ele no escritório.

Dito e feito: quando desconfiou ele entregou-me um documento sigiloso da empresa (sem perceber confirmou a hipótese da delegada). A namorada imediatamente procurou-me para dispensar-me do serviço, até a demissão. Minha demissão é coisa decidida.

Se ela acredita em mim ou não, isso não sei dizer. Mas a demissão é garantida. Não perco o seguro-desemprego para manter minha filha por algum tempo.

Ouvi muitas coisas desagradáveis:

- que eu destrui uma relação belíssima quando contei à ela e sou vingativa;(imagine a resposta que ele ouviu)

- que eu não podia contar porque ele me ajudou (tá vendo o tamanho da encrenca?),

- a desculpa mais esfarrapada que ouvi foi a do filho: que Papai toma Viagra ... como é que a gente explica pr´um cara de 25 anos a diferença entre ereto e excitado?

- Ouvi também que Papai tem "momentos" e que eu preciso relevar.

- E ainda queria saber porque eu preferi contar a namorada e não para um dos filhos.

Meus amigos, no ambiente de trabalho respeito é fundamental. Não tem emprego que valha um empresário que não consegue separar interesses pessoais e profissionais e usa toda a família para pressionar uma pessoa que ele mesmo transformou em ameaça.

Já podem me chamar Kill Bill.

 



Escrito por 100 noção do perigo às 11h52
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